Sobrecarga e falta de reconhecimento expõem principais riscos psicossociais no trabalho

Levantamento com mais de 11 mil profissionais aponta níveis altos ou críticos de risco relacionados à pressão, excesso de demandas e baixa valorização no ambiente de trabalho
A pressão por resultados, o excesso de demandas e a falta de reconhecimento estão entre os principais fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores. Um levantamento realizado pela PlenaHealth com mais de 11 mil profissionais mostra que os riscos psicossociais já representam um ponto de atenção para as organizações brasileiras.
A pesquisa reúne dados de 15.089 colaboradores. Desse total, 11.437 participaram das avaliações de riscos psicossociais, uma adesão de 76%. Entre os trabalhadores avaliados, 19,3% apresentaram probabilidade geral de risco psicossocial classificada como alta ou crítica.
Em um recorte específico, com 623 participantes, 44,7% apresentaram níveis alto ou crítico para excesso de demandas, indicador associado à sobrecarga. Em relação a baixas recompensas e reconhecimento, o percentual nessas duas faixas foi de 30,8%.
Os números ganham relevância diante das mudanças na Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que ampliaram a atenção das empresas para os fatores psicossociais dentro da gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST) e de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).
Entre os fatores que devem ser observados estão sobrecarga, pressão excessiva, problemas de liderança e comunicação, conflitos, falta de reconhecimento e percepção de injustiça.
Quando a pressão começa a aparecer nos indicadores
Os efeitos de um ambiente de trabalho excessivamente pressionado podem aparecer em diferentes indicadores da organização. O aumento do turnover, por exemplo, nem sempre está relacionado apenas a salários ou à oferta de novas oportunidades profissionais.
Sobrecarga, problemas na relação com a liderança, falta de reconhecimento, falhas de comunicação e desorganização do trabalho também podem influenciar a decisão de deixar a empresa.
Por isso, especialistas recomendam que a rotatividade seja analisada em conjunto com outros dados, como absenteísmo, afastamentos, horas extras, presenteísmo, clima organizacional e pressão operacional.
A combinação desses indicadores pode ajudar a identificar problemas que, isoladamente, poderiam passar despercebidos.
Liderança pode reduzir ou aumentar a pressão
A maneira como as equipes são conduzidas também tem impacto direto sobre a experiência dos trabalhadores. Quando gestores estão excessivamente concentrados em demandas operacionais, podem ter menos tempo para acompanhar os profissionais, ouvir dificuldades, mediar conflitos e identificar sinais de sobrecarga.
O problema pode se transformar em um ciclo. Equipes sobrecarregadas aumentam a pressão sobre os gestores. Gestores pressionados têm menos condições de acompanhar as equipes. Com isso, sinais de problemas podem deixar de ser percebidos até que se transformem em afastamentos, conflitos ou aumento da rotatividade.
Equipes menores, mais pressão para quem permanece
A redução do número de funcionários é outro fator que merece atenção. Com equipes menores, atividades que antes eram distribuídas entre mais pessoas podem ser concentradas nos profissionais que permanecem.
O resultado pode ser aumento da carga de trabalho, necessidade de horas extras e maior pressão por resultados.
Sobre a PlenaHealth
A PlenaHealth atua na gestão de saúde, bem-estar e riscos psicossociais nas organizações, integrando diagnóstico, tecnologia, análise técnica, desenvolvimento de lideranças e acompanhamento de planos de ação.