Maranhão está entre os estados com maior vulnerabilidade climática para crianças e adolescentes, aponta Unicef

O Maranhão está entre os estados brasileiros com maior vulnerabilidade socioambiental e climática para crianças e adolescentes, segundo um estudo divulgado nesta semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento mostra que o estado concentra municípios entre os mais afetados pelos riscos ambientais, ao lado de Pará, Acre, Amazonas e Mato Grosso.
De acordo com o Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma desenvolvida pelo Unicef em parceria com a organização de saúde global Vital Strategies, quatro dos 30 municípios com pior desempenho agregado no Brasil estão no Maranhão. O estudo também aponta que os municípios maranhenses integram o grupo com maior concentração de cidades classificadas em situação de vulnerabilidade severa e multidimensional.
Maranhão está entre os estados mais vulneráveis
Ao todo, 333 municípios brasileiros foram classificados como de alta vulnerabilidade socioambiental e climática para crianças e adolescentes, o equivalente a 6% das cidades do país. Segundo o levantamento, há uma concentração significativa desses municípios na Região Norte e no estado do Maranhão.
Avaliação considera 14 indicadores
A plataforma reúne dados coletados entre 2021 e 2025 e analisa os 5.571 municípios brasileiros a partir de 14 indicadores distribuídos em quatro áreas: qualidade do ar, infraestrutura ambiental e urbana, eventos climáticos extremos e ambiente escolar.
Entre os fatores avaliados estão a ocorrência de chuvas intensas, secas e ondas de calor, além do acesso da população à água tratada e ao saneamento básico, os níveis de poluição do ar e a existência de áreas verdes nas escolas.
Os municípios são classificados em três níveis de prioridade. O nível 3 indica necessidade de atenção imediata, enquanto o nível 2 recomenda planejamento e adoção de medidas no curto e médio prazo. Já o nível 1 representa baixa prioridade e demanda apenas monitoramento contínuo.
Infraestrutura amplia riscos no Nordeste
Segundo a nota técnica do Unicef, muitos dos municípios com maior vulnerabilidade possuem população reduzida e economia baseada em atividades primárias, fatores que aumentam a exposição aos impactos das mudanças climáticas e dificultam a capacidade de resposta do poder público.
Na análise da infraestrutura ambiental e urbana, o Nordeste aparece como a segunda região com maior proporção de municípios em situação de alta prioridade. De acordo com o estudo, além da escassez hídrica, a menor capacidade financeira para investimentos em infraestrutura contribui para esse cenário.
Já no ambiente escolar, o Nordeste lidera o percentual de municípios classificados com alta prioridade por conta da ausência de áreas verdes nas escolas.
Plataforma auxilia políticas públicas
Segundo o especialista em Mudanças Climáticas do Unicef, Danilo Moura, crianças e adolescentes são mais vulneráveis aos impactos de eventos climáticos extremos por dependerem dos adultos para reconhecer situações de risco e adotar medidas de proteção.
A representante adjunta do Unicef no Brasil, Layla Saad, destacou que o painel foi criado para apoiar gestores públicos na definição de prioridades.
A plataforma permite consultar a situação de cada município brasileiro e reúne cerca de 50 recomendações para orientar ações de prevenção e enfrentamento dos principais desafios socioambientais identificados.