“Querem extinguir minha Vara”, diz Douglas Martins

O juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, afirmou em entrevista à Rádio Cultura FM (106.3 MHz), na noite desta terça-feira (10), a existência de um movimento que trabalha pela extinção do órgão jurisdicional do qual é titular. Em agosto de 2025, a Vara Especializada comandada por ele recebeu um prêmio do CNJ em reconhecimento a uma decisão que responsabilizou uma empresa por dano ambiental.
“João, você vai receber uma informação em primeira mão: na Vara de Interesses Difusos e Coletivos, decido diariamente questões que afetam interesses econômicos e políticos. Minhas sentenças atingem grandes empresas, as maiores do Maranhão, e os poderes políticos estabelecidos em todos os níveis. E agora, como não conseguem encontrar nada de errado para abrir um processo administrativo contra mim, querem extinguir minha vara”, revelou.
Durante o bate-papo veiculado no programa Pinga Fogo, comandado pelos comunicadores Neto Cruz e João Filho, o magistrado classificou o movimento de extinção da vara como algo gravíssimo e atribuiu isso ao poder político e econômico impactado por suas decisões e sentenças liminares.
“Querem extinguir com a vara de interesses difusos e coletivos, o que é uma coisa gravíssima. Estão propondo isso no tribunal e, acreditem, isso está relacionado aos interesses econômicos e políticos que são afetados pelas minhas sentenças e decisões liminares”, completou.
Em sua participação, Douglas Martins também respondeu às críticas referentes à decisão que permitiu à Prefeitura de São Luís aplicar provisoriamente um artigo de uma lei que ainda não existe na capital maranhense. Na ocasião, ele enfatizou que fundamentou o motivo em sua própria decisão e declarou que as pessoas precisam ter maturidade para compreender que, às vezes, ganham e, às vezes, perdem na justiça.
“As pessoas precisam ter maturidade de entender que às vezes perde, às vezes ganha na justiça. Então, meu papel é julgar, eu decido, eu procuro fazer isso de forma fundamentada, eu estudo muito para isso, profiro as minhas decisões, tenho coragem de decidir, estudo para decidir corretamente, faço tudo, eu sei que todos nós podemos errar, eu acho que é natural que muitas pessoas não concordem com as minhas decisões, mas uma coisa ninguém vai esperar de mim nunca, que é a omissão ou medo de decidir quando atinge interesses políticos e econômicos”, destacou.